quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CENAS REAIS DO FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.


Cenas reais do final da Segunda Guerra Mundial, nos campos de concentração. A Solução Final. Holocausto.
CUIDADO! SÃO CENAS MUITO FORTES.


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Execuções e Mortes Decorrentes de Tortura



No Brasil, de 1946 a 1988, período coberto pela Comissão Nacional da verdade (CNV), foram registradas 191 mortes por execução sumária e ilegal ou decorrentes de tortura, perpetradas por agentes a serviço do Estado, conforme o “Quadro geral da CNV sobre mortos e desaparecidos políticos”.
Essas duas formas de graves violações de direitos humanos ocorreram de maneira sistemática durante os anos da Ditadura Militar, de 1964 a 1985. Os homicídios eram cometidos pelos órgãos de segurança com uso arbitrário da força em circunstâncias ilegais, mesmo considerado o aparato institucional de exceção criado pelo próprio regime autoritário, iniciado com o golpe de 1964. Esses crimes foram praticados dentro de complexa estrutura constituída no interior do aparelho estatal, ou com a vítima sob custódia do Estado, ainda que fora de uma instalação policial ou militar, ou em locais clandestinos de tortura e execuções. A grande maioria dessas mortes ocorreu em decorrência de tortura, quando os presos eram submetidos a longos interrogatórios. Para ocultar as reais circunstâncias desses assassinatos, os órgãos de segurança montaram encenações de falsos tiroteios, suicídios simulados ou acidentes. Quase sempre ocultados, alguns corpos foram entregues às famílias para seu sepultamento civil em caixão lacrado, para esconder as marcas de sevícia.

            A execução arbitrária, sumária e ilegal, bem como a morte decorrente de tortura são homicídios dolosos praticados com uso de força desproporcional em relação à vítima, sem que ela tenha nenhuma condição de defesa. Essa limitação estende-se à inexistência de um processo regular na esfera judicial (conceituação detalhada no Capítulo 7). O reconhecimento da responsabilidade do Estado em casos de mortes em execução sumária ou decorrentes de tortura foi, em princípio, fixado pela Lei no 9.140, de 4 de dezembro de 1995, e abrange pessoas



b) que, por terem participado, ou por terem sido acusadas de participação, em atividades políticas, tenham falecido por causas não naturais, em dependências policiais ou assemelhadas;

c) que tenham falecido em virtude de repressão policial sofrida em manifestações públicas ou em conflitos armados com agentes do poder público;
d) que tenham falecido em decorrência de suicídio praticado na iminência de serem presas ou em decorrência de sequelas psicológicas resultantes de atos de tortura praticados por agentes do poder público.


            Há clara variação temporal, conforme o momento da vida política nacional, na incidência, maior ou menor, das execuções sumárias ilegais e mortes em decorrência de tortura. No período anterior ao golpe de 1964, a maior parte dos casos foi resultado da repressão contra a manifestação de trabalhadores da Usiminas no município de Ipatinga (MG), em 1963, que causou a morte de pelo menos oito pessoas, entre elas uma criança de alguns meses de vida. Essa chacina, a morte da operária Angelina Gonçalves, alvejada em 1950 por policiais em uma passeata do Primeiro de Maio, e a de João Pedro Teixeira, presidente da Liga Camponesa de Sapé, assassinado em uma emboscada em 1962, constituem episódios isolados de violência política.

            A execução como instrumento de aniquilamento de opositores políticos começou a ser utilizada de forma sistemática a partir do golpe de 1964 e estendeu-se até 1985. Nesse ano, ocorreram também os dois últimos casos de morte identificados como decorrentes de graves violações de direitos humanos no período da ditadura: o do sindicalista Nativo da Natividade de Oliveira, assassinado por forças políticas e proprietários de terras de Rio Verde (GO), e o do militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) Gustavo Buarque Schiller, que se suicidou em decorrência de sequelas de tortura.


            Nos anos seguintes à queda do presidente João Goulart, de 1964 a 1968, ocorreram 45 mortes identificadas pela CNV, correspondentes a 23% do total de mortos por execução, no período de 1946 a 1988. A promulgação do Ato Institucional no 5 (AI-5), em dezembro de 1968, dinamizou a ação dos órgãos repressores, e a execução passou então a ser meio recorrente de eliminação de adversários políticos do regime. De 1969 a 1974, o número de mortos atingiu a cifra de 98 vítimas.


            Trata-se do período mais violento da ditadura militar, que buscou exterminar as organizações da esquerda. O número de mortes durante esses anos representa 51% do total. No final de 1974, a maioria das organizações da esquerda armada se encontrava em situação precária e sem condições de ação. Os anos que se seguiram testemunharam o início do debate para uma possível anistia e coincidiram com uma diminuição do número de mortes. De 1975 a 1979, foram 28 casos (15% do total), tendência acentuada de 1980 a 1985, com nove mortes (5%).

REFERÊNCIA
http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/images/documentos/Capitulo11/Capitulo%2011.pdf


domingo, 1 de dezembro de 2019

O INÍCIO DO POVO HEBREU



            É preciso ter presente que a Bíblia tem um compromisso básico com a unidade do povo hebreu e não com a narrativa fiel de acontecimentos. Hoje em dia até autores religiosos, cristãos e judeus, duvidam, se não da existência física dos três patriarcas (Abrahão, Isaac, Jacó), ao menos da genealogia que estabelece a sucessão entre eles (Abrahão pai de Isaac pai de Jacó). O fato de questionarmos a historicidade de alguma personagem não significa que não possam tirar da história contada informações que nos interessam. O narrador acaba referindo-se a costumes e padrões de comportamento que caracterizam uma época e dizem respeito também a mitos que derivam de uma região. Assim, não há contradição entre questionar a historicidade de personagens bíblicos, colocar em dúvida alguns dos fatos milagrosos ali narrados e utilizar o material como fonte para o trabalho do historiador.

            A questão da historicidade dos patriarcas tem a ver com a própria questão de quem teria sido o primeiro hebreu, isto é, de quando poderíamos datar a existência dos hebreus como povo. As opiniões são muitas. Ouve-se, com frequência, a data de 2000 para Abrahão, seguido de seus descendentes. Outros já preferem datas bem mais recentes, talvez o século XIV a.C. para Jacó (que, nesse caso, não poderia mesmo ter sido neto de Abrahão).

            A Bíblia fala de José, filho de Jacó, indo para o Egito, aprisionado e depois funcionando como ponta de lança para a vinda de toda a família. Isso bateria bem com a presença de clãs semíticos durante um certo tempo no delta do Nilo, documentada em material egípcio. Fiquemos pois com o século XIV, em princípio, e prossigamos a narrativa. Ramsés II reinou de 1290 a 1224 e teria sido ele o faraó da história de Moisés. De qualquer forma, há uma referência aos apirus ou abiru trabalhando para Ramsés II.
            Abiru e ibri ou ivri (hebreu, em hebraico) devem ser o mesmo povo. Como saíram do Egito, por que e quantos não sabemos, mas a ideia da entrada de um grupo de tribos na Cananeia lá por 1230/1220 é apoiada em documentos. Pouco depois, por volta de 1190 estabeleciam-se os filisteus, derrotados por Ramsés III, e ocupavam as cidades litorâneas como Ascalon, Asdod e Gaza. Convém lembrar que da palavra filisteu (plishtim, em hebraico) deriva o termo Palestina, uma das várias denominações da região.



             As tribos que se instalaram em Canaã seriam as mesmas que de lá haviam saído tempos antes, ao ir para o Egito? É de acreditar que não. Quando para lá se transferiram, premidas pela fome, não foram sozinhas, mas no bojo de um largo movimento de povos famintos. Uma parte dos descendentes de Jacó teria talvez ficado lá, outra teria se miscigenado. O nome de Moisés, tipicamente egípcio, mostra bem certa preocupação com a assimilação que as tribos instaladas no Egito tinham. Também o grupo levado por Moisés a Canaã não era homogêneo, como reconhece a própria Bíblia. Bastava o líder voltar as costas, que a turma adorava outros deuses. Tanto assim que o grupo, não sendo ainda um povo ou uma tribo, foi denominado “geração do deserto”, tendo de caminhar durante anos até adquirir alguma solidariedade grupal.
            Assim, embora reconhecendo as origens dos hebreus nos descendentes de Jacó (José e seus irmãos, na narrativa bíblica), só podemos aceitar o início do povo hebreu a partir do momento em que se instalam na região de Jericó algumas tribos que lutam juntas, sob a chefia de Josué, para conquistar um espaço onde possam viver. Com isso, inaugura-se o ciclo de mais ou menos duzentos anos que vai até o início da monarquia, com Saul, em 1030.

REFERÊNCIA
Jaime Pinsky

sábado, 9 de novembro de 2019

SOBRE O DESENVOLVIMENTO DOS #NAVIOS PORTUGUESES



As caravelas provavelmente tiveram sua origem em embarcações de pesca, que já existiam na Península Ibérica desde o século XIII. Tinham, em geral, velas latinas. As velas latinas são próprias para navegar com qualquer vento e, por isso, adequadas às explorações da costa da África. Principalmente foi com as caravelas que os portugueses exploraram o litoral africano durante o século XV. Devido ao desenvolvimento dos navios e de técnicas e instrumentos náuticos foi possível chegar ao extremo sul do continente africano, ao Cabo da Boa Esperança, permitindo contornar a África, passando do Oceano Atlântico para o Oceano Índico, e chegar ao Oriente.

            A partir de então apareceu a nau, navio maior destinado à navegação e ao transporte de mercadorias. Tem-se notícias que naus de três mastros, com o velame completamente desenvolvido eram utilizadas pelos portugueses desde o século XV.



            Por se enfatizar a prática mercantil, as naus eram mal armadas militarmente, levando poucos canhões para sua defesa e das rotas marítimas que comandavam, abrindo espaço para a concorrência estrangeira. Até então Portugal vinha utilizando caravelas bem armadas como navio de guerra, mas, desde o início do século XVI,sentira a necessidade de desenvolver o galeão, navio de guerra maior e com mais canhões, para combater os turcos no Oriente e os corsários7 e piratas europeus ou muçulmanos no Atlântico.




            O galeão foi a verdadeira origem do navio de guerra para emprego no oceano. Foi construído para fazer longas viagens e combater longe da Europa.

Para que Portugal pudesse realizar a expansão marítima efetiva nos séculos XV e XVI foi preciso que se aperfeiçoasse a navegação, de modo a que se tornasse transoceânica e não apenas costeira, como se praticava.

            Quando começaram as Grandes Navegações, já eram conhecidos a bússola, inventada pelos chineses, também chamada de agulha de marear ou agulha magnética, e, dentre os instrumentos de observação, o astrolábio.
            A bússola é composta por uma agulha imantada que se alinha em função do campo magnético natural da terra, podendo-se saber a direção em que está o pólo norte magnético, propiciando ao navio traçar seu rumo, sua direção.



            Para saber exatamente a posição em que se está em relação ao globo terrestre, é necessário calcular a latitude e a longitude do local. O cálculo prático da longitude, a bordo de navios, depende de se conhecer, com precisão, a hora.



            Porém, a inexistência de relógios (cronômetros) que não fossem afetados pelos movimentos do navio causados pelas ondas fez com que a hora não pudesse ser calculada no mar até o século XVIII, quando foram desenvolvidos cronômetros adequados para serem utilizados a bordo dos navios.


REFERÊNCIA
Introdução à história marítima brasileira. — Rio de Janeiro: Serviço

de Documentação da Marinha, 2006.


domingo, 27 de outubro de 2019

O REINO DE GANA - #ÁFRICA ANTIGA


https://historia2h.blogspot.com/
                                                          
Trabalho das alunas:
CAROLINA FERNANDEZ,
 TALYTA SARAIVA
Turma: A7/2017


1- De onde vem o nome do reino (Gana)?


O nome do reino vem da forma com que tratavam seu líder, o gana, “senhor do ouro”. Suas terras eram chamadas de Uagadu e, embora muitas fontes se refiram a Gana como um “império”, a nomenclatura é controversa. Os historiadores que a condenam defendem que impérios têm intenções expansionistas. Não era o caso de Gana, que não estava interessado em aumentar seus domínios. Queria, sim, multiplicar sua riqueza. Nem sequer as fronteiras do reino eram bem definidas. O importante era cobrar impostos e controlar os entrepostos comerciais.


2- Descreva a localização de Gana. Inserir um mapa.


O Reino de Gana ficava na região oeste da África, na área que compreende hoje o Mali e o sul da Mauritânia, alcançou seu ápice entre os séculos VII e XI. Através da captação dos recursos naturais, principalmente ouro e metais preciosos dos territórios dominados pelo reino, transformou-se na principal autoridade econômica da região. Desde já, percebemos a instigante história de um reino que prosperou mesmo não possuindo saídas para o mar e estando próximo a uma região considerada economicamente inviável.

3- Como começaram a superar as dificuldades geográficas?


As dificuldades geográficas explícitas da região começaram a ser superadas quando as populações da África Subsaariana (ou África negra) passaram a ter contato com a porção norte do continente. Graças à domesticação do camelo, foi possível que comunidades pastoris próximas do Deserto do Saara começassem a empreender novas atividades econômicas. Nas épocas de seca, os pastores berberes deslocavam-se para a região do Sael para realizar trocas comerciais com os povos da região.

Essas pessoas representam a cultura do povo em seu território, pois a cultura faz com a vida das pessoas mude de lugar para lugar.










4- Qual a origem reino de Gana? Quem é soninquê?


Entre essas populações se destacavam os soninquês, que ocupavam uma região próxima às margens dos rios Senegal e Níger. Esse povo começou a se organizar em comunidades agricultoras estáveis que se uniram, principalmente, por conta dos ataques de tribos nômades. A região que era rica em ouro aliou sua produção agrícola ao comércio na região para empreender a formação do Reino de Gana. Dessa forma, estabelecia-se uma monarquia no interior da África.

5- Quando e como o reino de Gana alcançou a altura de sua
grandeza?

O Reino de Gana alcançou a altura de sua grandeza durante o reinado de Tenkamenin (1037 – 1075). Através de sua administração cuidadosa do comércio de ouro pelo deserto do Saara na África Ocidental, o império de Tenkamenin floresceu economicamente. Mas sua maior força estava no governo. Todo dia ele ia a cavalo e escutava os problemas e preocupações de seu povo. Ele insistiu que a ninguém fosse negada uma audiência e que lhes permitissem permanecer em sua presença até que a justiça fosse feita.

6- Como acontecia a sucessão do trono? Explique.

Quanto à sucessão ao trono, ela era matrilinear: era o filho da irmã do rei que lhe sucedia. Segundo Ki-Zerbo, o escritor árabe Al Bakri diz que era para assegurar que o sucessor fosse sempre de sangue real, já que seu filho poderia não ser realmente seu filho. Mas Ki-Zerbo também cita Cheik Anta Diop, para dizer que o sistema 
matrilinear foi prática comum aos povos africanos e ligada ao seu caráter agrícola e sedentário.


7- O que faziam quando morria o gana? Explique.


quando morria o gana, erguia-se uma grande cabana de madeira para acolher seu corpo. Ali se colocavam suas vestes, suas armas, os objetos que usara para comer e beber, e comida e bebidas. Conduziam-se para dentro do que seria o túmulo os criados que tinham servido ao rei. Ki-Zerbo diz que isso era para prevenir que não ocorreriam envenenamentos. Vedava-se a porta. O povo jogava terra sobre a cabana, até que houvesse uma espécie de colina. Ao redor, cavava-se um fosso. Ao morto, eram oferecidos sacrifícios humanos e bebidas fermentadas.




Esta imagem representa uma das religiões mais comuns da África, o Camdomblé. Aqui esta representado os orixás, que é como se fossem os deuses.





8- Quando o reino de Gana começou a sentir os primeiros sinais

de crise?

O reino de Gana começou a sentir os primeiros sinais de sua crise com o esgotamento das minas de ouro que sustentavam a sua economia. Além disso, após o século VIII, a expansão islâmica ameaçou a estrutura centralizada do governo. Os chamados almorávidas teriam empreendido os conflitos que, em nome de Alá, desestruturaram o Reino de Gana. A partir de então, os reinos de Mali, Sosso e Songai disputariam a região.

9- Como o reino de Gana foi dividido? Explique.

Em nome do Islamismo, os berberes, da dinastia dos almorávidas, vindos do Magrebe, atacaram e conquistaram Kumbi Saleh, rompendo a unidade do reino que a partir de então ficou dividido numa parte Norte muçulmana, comandada pelos almorávidas, e uma parte Sul, comandada pelos soninquês, onde se refugiaram os não muçulmanos.


10- Pesquise sobre as religiões de Gana e escreva explicando.

Até a chegada dos europeus na costa de Gana no século XIV, a religião que era praticada em Gana foi a religião tradicional Africano. Como os europeus explorados e assumiu o controle de partes do país durante o período colonial, assim como sua religião - o Cristianismo se espalhou. 
· Nessa região, as religiões são distribuídas dessa maneira:Cristianismo, 57,6% (protestantes, 24%, independentes, 15,7%, outros, 12,6%, sem filiação, 5,3%), crenças tradicionais, 22,1%, islamismo, 19,8%, sem religião e ateísmo, 0,5%.


Escravos africanos sendo levados de barco para algum lugar onde servirão alguém




#RACISMO NO FUTEBOL

 LER ARTIGO RACISMO NO FUTEBOL

Artigo pesquisado e escrito por alunos da turma B4/2019

domingo, 6 de outubro de 2019

#MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE

Acervo Museu Joaquim Felizardo/PMPA
Da Jornalista Maria Luiza Benitez


 O Passo do Príncipe

De acordo com as pesquisas do Professor Cláudio Boucinha, o nome Passo do Príncipe se deve ao PRÍNCIPE CUSTÓDIO, que viveu na cidade no final do século 19. Segundo o jornal Correio do Sul, em 1959, foi criada a Sociedade dos Amigos do Passo do Príncipe. “CUSTÓDIO JOAQUIM DE ALMEIDA” era um príncipe africano. Foi obrigado pelo Império Britânico a buscar exílio em terras distantes. Em setembro de 1899, desembarcou no porto de Rio Grande com sua corte, composta de 48 membros. Transferiu-se em seguida para Bagé e sabe-se muito pouco de sua estada na cidade.
Em 04 de abril de 1901, finalmente instalou sua corte na capital do Estado, estabelecendo-se na Rua Lopo Gonçalves, 498. O casarão dava fundos para a antiga rua dos Venezianos. Custódio tinha 31 anos quando deixou sua terra natal. A vinda para o Brasil é um mistério até hoje. Sabe-se que recebia um subsídio do Império Britânico.

Obá Ovonramwen de Benin e sua família.

A antropóloga Maria Helena Nunes (UFRGS), em sua tese diz: “Custódio era negro, príncipe e um babalorixá. Através da religião, fazia curas e resolvia problemas de toda ordem. Por isso, políticos importantes, como Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos e até Getúlio Vargas, teriam frequentado sua casa. Faleceu com 104 anos, em 28 de maio de 1935. Seu funeral reuniu uma multidão maior que no enterro de Júlio de Castilhos”.

A ligação com o Mercado Público de Porto Alegre

O Mercado Público é uma referência essencial para o universo afro-religioso da cidade e do Estado. Tanto que é o primeiro lugar onde os filhos de santo realizam o seu “passeio”, quando levantam do chão e estão prontos para exercer seus ofícios religiosos. Construído por negros escravos, o Mercado carrega grande força mística, atribuída ao axé do Bará mais antigo da cidade.
A importância simbólica que o Mercado tem para os seguidores das religiões afro-gaúchas se dá pelo fato de acreditarem que no “cruzeiro” central do prédio esteja assentado o Orixá Bará, que na concepção africana é a entidade que abre os caminhos, sendo também o guardião das casas e cidades. Ali estaria “assentado” o Orixá (divindade cultuada pelo batuque) em forma, imagina-se, de uma pedra. Este objeto, também chamado pelos religiosos de Ocutá, estaria enterrado na área central do Mercado, significando que o Orixá está ali, para ser visitado, cultuado e receber oferendas. O Bará representa também o trabalho, a fartura e o início de todas as coisas. Por isto é muito comum ver religiosos em seus ritos jogarem moedas no centro do Mercado, principalmente perto da Banca Central.
Existem muitas polêmicas sobre o Bará do Mercado, mas duas versões são as mais conhecidas. A primeira conta que o Bará teria sido assentado pelos próprios negros que construíram o Mercado. Esta era, então, uma prática muito comum entre eles na África ao construírem seus mercados, uma vez que representam a fartura e abastança. Outra versão é de que a ideia de assentar o Bará foi do Príncipe Custódio. Quando ele aqui chegou trouxe cultos da África, como um grande líder religioso e decidiu fazer o assentamento dos orixás em Porto Alegre. Foram assentados sete barás na cidade, sendo o primeiro no Mercado – e por isto, considerado como o mais forte.

Quem foi o Príncipe Custódio
Reza a lenda que o Príncipe Custódio Joaquim de Almeida, ou Osuanlele Okizi Erupê, nasceu na Nigéria, em 1831. Seria filho de um rei, destronado pelos ingleses no final do século XIX. É comum afirmar que a vinda do Príncipe ao Brasil seria resultado de um acordo com os ingleses, que lhe ofereceram uma renda permanente para que não apresentasse resistência, abdicando seu trono e se exilando em outro país. Veio, então, como príncipe para o Brasil, sendo muito reconhecido como o consolidador das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. Inicialmente, fixou-se em Rio Grande e Bagé, vindo para Porto Alegre com 70 anos de idade. Falava fluentemente francês e inglês e era cercado de muitas histórias, frequentando, inclusive, a alta sociedade da época. Sua casa, na Cidade Baixa, era frequentadíssima. Sua festa de 100 anos durou três dias, ao som de tambores africanos.



As práticas afro-religiosas no Mercado
Na África, o mercado representa nas aldeias um ponto central de convergência e trocas. Aqui, os religiosos entram no Mercado, passeando por quatro pontos. É o primeiro lugar que o religioso visita, depois que levanta do chão. O passeio é feito entrando pelo Largo Glênio Peres, saindo pela Avenida Júlio de Castilhos para reverenciar o orixá das águas. O retorno é feito pela Avenida Borges de Medeiros, saindo pela Praça Parobé, que antes se chamava Caminho Novo (atual Voluntários da Pátria), justamente para abrir novos caminhos.

As floras do Mercado Público
Com a reforma, as floras foram cuidadosamente distribuídas no Mercado. São quatro delas com produtos religiosos, cada uma localizada nas entradas do Mercado, sempre à esquerda. É nas floras do Mercado que geralmente os pais-de-santo compram seus produtos para as obrigações religiosas, como peixe vivo, mel, azeite de dendê, velas, entre outros artigos. Acreditam também que ao comprar os produtos no Mercado levam junto o axé (força mística) do Bará que está assentado no prédio – para eles é o mais forte por ser o mais antigo.
Hoje, o Mercado Público completa 150 anos. Em breve, a revitalização total desse ambiente místico e de uma diversidade que atrai gente de todos os cantos, sendo um dos mais lindos cartões postais de Porto Alegre.



REFERÊNCIA



domingo, 22 de setembro de 2019

#AUGUSTO MALTA E SUA CÂMERA FOTOGRÁFICA


O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica
O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica
Beatriz Kushnir e Carolina Ferro*

A facilidade com a qual produzimos uma fotografia nos dias atuais faz com que nos esqueçamos das dificuldades enfrentadas no passado para registrar um determinado momento, monumento ou evento. Da vinda do daguerreótipo para o Brasil, na década de 1840, até as primeiras décadas do século XX, os objetos destinados às fotografias eram muito maiores e mais complexos. As imagens eram, em sua grande maioria, em preto e branco, tendo em vista que a versão colorida era uma novidade que seria popularizada aos poucos, pós 1907. Também aos poucos os fotógrafos se profissionalizavam e se preocupavam com seus instrumentos de trabalho, acompanhando os avanços técnicos que se aceleravam. Nesse período, mais especificamente no início do século XX, Augusto Malta, fotógrafo oficial do município do Rio de Janeiro, foi um dos nomes mais célebres da fotografia no Brasil.
Malta percorreu a cidade do Rio de Janeiro com diversas câmeras, uma boa parte operada com chapas de vidro à base de gelatina. Segundo Amanda Danelli Costa (2019), essas chapas eram bastante sensíveis à luz, o que permitiam “diafragmas bem fechados e velocidades de obturador entre um segundo e um quarto de segundo”, o que é um avanço se compararmos com os vários minutos que a fotografia demorava a ficar pronta nos seus primórdios. Segundo a autora (COSTA, 2019), os objetos de trabalho de Malta carregavam grandes formatos de negativos (24X30 cm, 18X24 cm e 13X18 cm) e essas informações nos ajudam a afirmar que as técnicas e as câmeras utilizadas por ele são essenciais para a compreensão da qualidade das fotografias que esse profissional nos proporcionou durante mais de 30 anos de trabalho. Ele se deslocava pela cidade sempre com uma câmera pesada, um tripé de madeira, um flash de magnésio e uma maleta com as chapas (BUENO, 2014). Uma dessas câmeras se encontra, hoje, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Máquina fotográfica de Augusto Malta
Máquina fotográfica de Augusto Malta

Não cabe aqui retomar toda a vida de Augusto Malta, tão amplamente divulgada por inúmeros estudiosos. Mas cabe salientar que detalhes importantes de sua vida profissional estão em documentos encontrados no AGCRJ. Do decreto de nomeação à aposentadoria, o viés público de Malta nos faz refletir sobre a prática de produção de uma memória política e histórica pelo poder público e sobre a importância da fotografia como documento.
O alagoano Augusto Malta tornou-se fotógrafo através do decreto n° 445, de 27 de junho de 1903, publicado pelo prefeito Pereira Passos, um dos grandes responsáveis pela remodelação da cidade do Rio de Janeiro. Dentre suas atribuições, estavam “tirar provas photographicas, no número que for necessário, dos edifícios, monumentos, obras da municipalidade e pontos do Districto Federal que lhe forem determinados e bem assim, quando o diretor geral o julgar conveniente, auxiliar o expediente da Directoria”, que era a de Obras e Viação. Para cumprir com uma missão tão grandiosa, Malta precisou de auxiliares, sendo os seus filhos, Aristógiton e Uriel, os mais conhecidos.
Em 1909, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura foi extinto, mas em 1913 ele foi recriado e Malta foi o escolhido para ocupar esse lugar devido ao seu profissionalismo e à qualidade de suas fotografias. Ele começou seu trabalho de forma amadora, mas era um grande estudioso e autodidata, o que fez com que aprimorasse sua técnica e a qualidade de suas obras. Ficou na prefeitura até 25 de agosto de 1936, quando se aposentou, tendo passado por 19 prefeitos, comprovando que as disputas políticas pelas quais o Brasil enfrentou, inclusive no período dos movimentos da década de 1930, deixaram intocáveis seu serviço público muito bem prestado. Quem o substituiu foi seu filho Aristógiton, sendo nomeado alguns dias depois, em 9 de setembro do mesmo ano.
No percurso da carreira de Malta, há um momento que, para os historiadores e pesquisadores do Rio de Janeiro em geral, é precioso. Em 1931, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura passa da Diretoria Geral de Viação e Obras para a Diretoria Geral de Engenharia e, no ano seguinte, através do decreto n° 3.759, de 30 de janeiro, novas atribuições somam-se às já relatadas. Agora, é necessário “§2 – Organizar o Archivo photographico e histórico dos serviços executados” e “§3º – Fornecer ao Archivo geral as fotografias históricas relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimonias realisadas e que tiverem sido photographadas”. Isto significa que Malta passa a ser obrigado por lei a entregar o material produzido na execução de seu trabalho ao Arquivo do Distrito Federal, atual AGCRJ. Graças a essa decisão é que temos mais de 30 mil negativos de Malta em nosso acervo, uma vasta coleção que carrega a história das fotografias e suas técnicas, bem como a história de nossa cidade.último decreto nos faz supor que, ao se aposentar, Malta também teria entregado uma de suas câmeras (talvez a mais utilizada para os serviços da prefeitura), tendo em vista que era um patrimônio da municipalidade, mas, infelizmente é só uma suposição. Malta continuou trabalhando como fotógrafo até sua morte, por enfarto, aos 93 anos.


A Câmera que se encontra no AGCRJ, provavelmente, é uma Speed Graphic, da empresa Graflex. Lançada pela primeira vez em 1912, ela tinha como propósito ser um instrumento de fotografia de paisagens, voltadas para profissionais que necessitavam de uma câmera mais leve, eficaz e preparada especificamente para esta função. Possivelmente, esse objeto foi adquirido bem depois de seu lançamento, tendo em vista que, à época, as novidades tecnológicas não chegavam com a mesma rapidez que nos dias atuais e, muitas vezes, era necessário importa-las. Sua qualidade é tão notável que, ainda hoje, existem fotógrafos que usam essa câmera para ter a mesma experiência do passado.

Máquina fotográfica de Augusto Malta
Máquina fotográfica de Augusto Malta

Ao pesquisar sobre a câmera utilizada por Augusto Malta, inúmeras questões são levantadas. Como e quando ela chegou ao AGCRJ? Em que momentos Malta utilizou esse instrumento? Será que ela foi uma das câmeras mais utilizadas pelo fotógrafo? Por que decidiram doar esta e não as outras câmeras? Qual era a circulação e como era a utilização desse tipo de câmera no Rio de Janeiro e no Brasil? Onde esse objeto teria sido comprado?
Infelizmente não temos muitas informações sobre a câmera de Augusto Malta, tendo em vista que os funcionários do Arquivo do Distrito Federal da época não registraram sua entrada, nem suas especificidades. Por isso, convidamos especialistas em câmeras fotográficas e em história da fotografia a visitarem o AGCRJ e nos ajudarem a resgatar um pouco mais da memória desse que foi um personagem icônico de nossa cidade e que nos forneceu inúmeros caminhos de pesquisa.

Máquina fotográfica de Augusto Malta
Máquina fotográfica de Augusto Malta

*Esse artigo teve uma preciosa ajuda na pesquisa e revisão de Rafael Martins de Araújo, estagiário da Gerência de Pesquisa do AGCRJ.
Beatriz Kushnir é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). Tem estágio pós-doutoral pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e é doutora em História pela mesma instituição.
Carolina Ferro é gerente de pesquisa do AGCRJ, professora do Centro Universitário Carioca (UniCarioca) e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

domingo, 15 de setembro de 2019

#SOBRE O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Maria I - A louca.
#história
COSTA, Marcos. A História do Brasil Para Quem Tem Pressa

O Brasil do século XIX é um paquiderme que caminha lentamente, de forma anacrônica, obsoleta e decadente em relação às grandes transformações pelas quais passava o mundo ocidental. O século XIX surge sob o signo do progresso e da industrialização. No Brasil, em 1785, na contramão desse progresso, mas atendendo às exigências da Inglaterra, Portugal manda extinguir todas as manufaturas têxteis do país, condenando-o a se tornar um mero fornecedor de matéria-prima. É esse o papel que caberá ao país no intenso jogo da divisão internacional do trabalho.



Esse tipo de decisão condicionou a formação econômica do país, sempre voltada para o viés primário exportador. Perdera o bonde da história, e um processo robusto de industrialização no Brasil só ocorreria a partir dos anos 1930, quando já éramos a periferia do capitalismo internacional. No início do século XIX, segundo Caio Prado, “o antigo sistema fundado no pacto colonial  e que representa o exclusivismo do comércio das colônias para as respectivas metrópoles entra em declínio”.17 Foi essa transformação econômica fundamental que perdemos na passagem do capitalismo comercial para o capitalismo industrial, quando, seguindo os desideratos da Inglaterra, optamos por fechar nossas indústrias e nos contentamos com a produção e fornecimento de matéria-prima.





            O avanço do capitalismo industrial sobre o capitalismo meramente comercial só se viabilizou mediante a superação de todo e qualquer tipo de monopólio. Desse modo, o regime colonial, vigente no Brasil até 1822, foi um enorme obstáculo ao desenvolvimento, e suas consequências se estenderam no tempo para além da independência, pois a interferência da Inglaterra no destino do país se estenderá até, pelo menos, 1850.


Em 1815, morre a rainha de Portugal, D. Maria I, e o Príncipe D. João assume o trono. Decide elevar o Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves. No mesmo ano, Napoleão é derrotado na Batalha de Waterloo. A quebra do monopólio de comércio nos portos do Brasil em favor da Inglaterra, assinado em 1810 por D. João, havia irritado profundamente os comerciantes portugueses em Lisboa. Não era para menos, já que dois terços das transações comerciais de Portugal com os países europeus eram de produtos oriundos da Colônia.


Revolução Liberal do Porto.




Entre 1817 e 1820, explode em Portugal a Revolução Liberal. Os ânimos se exaltaram, falava-se até em supressão da Monarquia. Em 1821, com o pescoço praticamente na guilhotina, o Rei D. João VI resolve voltar para Portugal.

            A partir do momento que a Corte portuguesa vem ao Brasil com mais de 10 mil pessoas, e aqui já havia permanecido por 10 anos, muitos não queriam mais voltar. Haviam adquirido patrimônio, aberto negócios, constituído família e se imiscuído na vida social do país. Já havia aqui uma classe estabelecida de comerciantes — portugueses e brasileiros —, que auferiam grandes lucros no comércio com a Inglaterra. E com o retorno da Corte para

Portugal, os comerciantes lusitanos exigiam também que o pacto colonial — ou seja, o monopólio do comércio com o Brasil — fosse restabelecido. Essa queda de braço entre Colônia e metrópole vai redundar no processo de independência.


            Em 7 de setembro de 1822 — fortemente pressionado pelas elites brasileiras, de um lado, e pelas portuguesas, de outro lado —, D. Pedro decide-se por afrontar Portugal e declara a independência do Brasil. Esse ato heroico com direito a brado retumbante às margens do Ipiranga, no entanto, só foi possível, é claro, com o respaldo da Inglaterra, que intimidou qualquer reação de Portugal, além de, logicamente, ter pago 2 milhões de libras
esterlinas a título de indenização a Portugal. Dinheiro emprestado ao Brasil pela Inglaterra. Outros empréstimos seriam realizados: em 1825, 3 milhões de libras; em 1829, 400 mil; em 1839, 312 mil; em 1843, 732 mil; em 1852, 1.052 milhão. Todos empréstimos tomados junto aos bancos ingleses comandados pelos Rotschild.

            Enquanto os meninos aqui no Brasil brincavam no playground da emancipação política, os pragmáticos ingleses preparavam as faturas. Em 1827, por exemplo, condicionaram o reconhecimento da independência do Brasil à renovação dos tratados de livre-comércio assinados entre 1808 e 1810.

            Pode-se dizer que o Brasil se livrou dos portugueses, mas caiu nas garras dos ingleses.
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